Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2012

Pré Valentine's Day Reflection.


Vagueando por atalhos perdidos e becos retalhados, ofusco a minha visão, o meu olhar racional sobre a realidade. Opostamente a tal, afasto-me dela à velocidade da luz. A realidade, nua e crua, tal como ela se nos apresenta é terrivelmente redutível a um jogo de sobrevivência. Esmorecer as perdas e conseguir perdurar os afectos.
Os sentimentos, sobrevalorizados numa sociedade que os cobre de belos ornamentos para os tornar mais que simples conceitos psicoaxiológicos, atingem o seu pico no dia 14 de Fevereiro. A antecipação e prolongamento duma pré-dor de rejeição sofrida é celebrada; a epítome duma celebração de quem partilha as suas mais íntimas sensações com outra pessoa, e por consequência, para quem não partilha. Afogamos as mágoas em alcóol e afins para, progressivamente, esquecer a carência amorosa da qual sofremos. Talvez o conceito e a procura dum Amor idealizado, dum ombro que nos suporte, duma simples presença sentimental esteja condicionada e ultra-nivelada para as nossas necessidades não só enquanto animal racional, mas como comunidade humano. Não obstante, é impossivel não sermos influenciados por esses pré-conceitos impostos ao longo do tempo por um mar de cultura baseado em amores ideais.
O que quero afirmar é que, provavelmente em última instância, não necessitemos do Amor como função vital do nosso sistema somático. Mas, a nossa complexidade inerente ao nosso plano cognitivo, não descarta sentimentos mais vastos tais como a necessidade da afirmação duma partilha afectiva com um alguém, que não uma simples relação puramente sexual. Além disso, sabe tão bem...
João de Lalanda Frazão

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