Sentado, refugiado, entranhado no sofá vagueio a visão pela sala. Era um espaço alegre que, exuberantemente, nos sugava para uma esquisita dimensão em que prevalecia a introspecção, uma íntima conexão com o Eu.
Olá Eu, repetia intermitentemente. Uma repetição que não me levava a lado nenhum. As máscaras caem, a avalanche rui pelo declive abaixo, a dama de ferro moveu-se e eu continuava irreconhecível.
Indecifrável. Incontactável. Protegendo-me de mim mesmo. Não revelando os segredos que os meus sentimentos turvavam. Mantendo-me na ignorância. Esse idílico refúgio de neutra aquisição de conhecimentos. Não saber; não conhecer; não ver; ignorar: é o remédio para não te magoares.
E portanto, num processo de fuga ao velho ditado do Amor, mantinha-me sentado absorto nos mais banais pensamentos sobre o tempo, os estudos e os meus colegas; admirando os livros, a televisão... E assim continuarei.
João de Lalanda Frazão


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