Dia após dia, hora após hora, esta sociedade envelhece. Torna-se idosa, não demograficamente, mas socialmente. O espírito que habita cada um de nós esmorece e, passivamente, deixamo-nos levar pelos falsos ditados que nos monopolizam. Somos moldados desde que nascemos pelo Estado, pela política, pelas cadeias sociais, televisivas, económicas, quiçá, entidades importantes de modo a metamorfosearmo-nos em massas populacionais acríticas e amorfas que não desenvolvem a crítica racional.
E assim é Portugal há séculos de história. Vivemos à sombra da vanguarda, numa constante cópia dos modelos e estéticas europeias. Vivemos acríticamente, numa sociedade pedante corrompida pela falta de vontade, pela falta de saber, pela falta de tudo. Massas moldáveis às mãos das entidades de poder? É necessário a rejeição a esta forma de vida. É necessário uma revolução ideológica que desencadeie toda uma nova forma de pensar pro-activa! Uma revolução literária, artística, política, económica, social. Uma revolução na nossa essência enquanto povo para deixarmos de viver debaixo das cortinas das super-potências e alcançarmos um novo esplendor. E quando refiro o esplendor, não menciono números e contas económicas apenas, sendo isso tão superficial e restritivo: falo duma vanguarda cultural e de formas de vida que influenciem positivamente as massas portuguesas. É parar de viver à sombra de acontecimento velhacos e antiquados que aconteceram há 6 séculos.
E, infelizmente, todos nós vivemos numa ditadura subconsciente que nenhum de nós vê, tão subtil que ela é. Qualquer participante desta sociedade ocidental é bombardeado a todo o momento com subtis missivas que moldam o nosso inconsciente e a nossa forma de pensar. Tornamo-nos protótipos do estado e isso, com a globalização, é um processo irreversível. Mas se somos protótipos bons ou maus, isso depende de nós e da nossa capacidade crítica e racional.
Subtilmente, a nossa sociedade ainda se encontra fortemente corrompida pelos velhos valores salazaristas que nos atrasam social e culturalmente. Na primeira metade do século, eram poucos os que tinham acesso à educação, sendo fácil moldar as massas. Agora, a maioria tem acesso à mesma mas poucos usufruem dela, não desenvolvendo a capacidade crítica e de escolha acertado, sendo ainda mais fácil moldar massas acríticas e pedantes que descartam a sua racionalidade.
É necessário, urgente quase, impôr um novo modo de pensar e de viver que fomente o desenvolvimento crítico, levantarmo-nos da sarjeta em que vivemos e abrir os olhos duma vez por todas. Há que mudar a carapaça desta nação secular e erguer um novo modelo! Por uma revolução desta fossa!
João de Lalanda Frazão